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A Amazônia nas urnas: desenvolvimento para quem?

  • Foto do escritor: Graziela Gomes Bezerra
    Graziela Gomes Bezerra
  • 8 de ago.
  • 2 min de leitura

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil


"Prometer desenvolvimento para a Amazônia é fácil. Difícil é dizer que desenvolvimento se pretende construir — e para quem."

A Amazônia volta ao centro do debate político brasileiro em um momento decisivo. Com as eleições de 2026 se aproximando, questões como infraestrutura, meio ambiente, geração de emprego, bioeconomia, agricultura, mineração e melhoria da qualidade de vida devem ocupar espaço nas discussões eleitorais.


Mas existe uma pergunta que não pode ser deixada de lado:


"Quando os candidatos falam em desenvolvimento da Amazônia, de qual Amazônia estão falando?"

A Amazônia não é apenas uma grande área de floresta. É também território de cidades, comunidades rurais, povos indígenas, ribeirinhos, agricultores familiares e extrativistas que enfrentam desafios de acesso à saúde, educação, saneamento, transporte, conectividade e trabalho.


Nos últimos anos, iniciativas públicas passaram a tratar a sociobiodiversidade como parte de uma estratégia de desenvolvimento. O Programa Nacional de Sociobioeconomia (Prospera), por exemplo, busca fortalecer cadeias produtivas da biodiversidade, articulando organizações comunitárias, cooperativas, instituições de pesquisa, órgãos públicos e instituições financeiras. O Fundo Amazônia também apoia projetos produtivos sustentáveis e de geração de renda.


No Amazonas, essa agenda ganhou novos contornos com a instituição, em abril de 2026, do Plano Estadual de Bioeconomia, que prevê ações voltadas à sociobiodiversidade, pesquisa e inovação, agricultura sustentável, valorização dos conhecimentos tradicionais e financiamento.


A discussão, portanto, já não pode ser reduzida à escolha entre preservar a floresta ou promover crescimento econômico. O verdadeiro desafio é produzir riqueza sem destruir os recursos naturais que sustentam essa própria riqueza.


Isso exige também infraestrutura adequada. Conectar a Amazônia ao restante do país não significa apenas construir estradas, mas ampliar o acesso a transporte, energia, internet, comunicação e serviços públicos.


O programa Norte Conectado exemplifica esse esforço ao implantar infovias de fibra óptica subfluviais, ampliando a conectividade de escolas, hospitais e comunidades ribeirinhas.


Por isso, o debate eleitoral sobre a Amazônia precisa ir além das grandes obras e das frases de efeito. É preciso perguntar: quem será beneficiado pelos investimentos? Quais serão as metas? De onde virão os recursos? Como os resultados serão medidos? E quais serão os impactos sociais e ambientais?


A Amazônia não precisa apenas de promessas de desenvolvimento. Precisa de projetos capazes de transformar biodiversidade em oportunidades, infraestrutura em acesso e conhecimento em inovação.


No fim, a questão não é apenas quanto os próximos governos prometem para a Amazônia, mas qual modelo de Amazônia será construído depois das eleições.

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